In the Moonlight – Capítulo I

«

Lá estava ela. A tomar o pequeno almoço mais solitário da sua vida. Tudo parecia diferente ali. As pessoas, os lugares, até a compota de mirtilo que colocava agora na torrada. Não era fácil estar numa escola nova, numa cidade nova, mas ali estava ela. Mia, arrastada para Hopeville pela mãe com uma carreira de escritora promissora. O pai morrera já há alguns anos e só ficaram ela, a mãe e Nora, a sua irmã de 6 anos.

A mãe acreditava que não se podiam prender demasiado às coisas, pessoas, lugares – sofreriam – portanto, tentava estar sempre em mudança. Sendo em casa, cidade ou estilo de livro que escrevia – ia desde os romances, ao terror, passando pela ficção e policiais.

Ela gostava da sua antiga escola, cidade, dos seus amigos, mas a verdade é que não estava descontente com a mudança. Herdara isso da mãe e também não gostava da rotina que estar muito tempo no mesmo sitio, com as mesmas pessoas, causa. Gostava de conhecer novas pessoas, sítios e paixões. Alias, a mãe não tomaria esta decisão sem a opinião das filhas e, a verdade, Mia queria mudar e Nora achava engraçado e divertido mudar de escola.

Voltando ao refeitório… Tudo estava calmo. Os alunos sentavam-se em grupos pelas mesas redondas – talvez Mia era a única que estava sozinha.

-Olá! És nova aqui? – Falou alguém, enquanto ela observava em volta.

-Sim! – Respondeu olhando para a rapariga que carregava o tabuleiro.

– Eu sou a Chloe. – Apresentou-se ela.

– Olá Chloe! Senta-te! Eu sou a Mia.

A rapariga ruiva com sardas que ela notou sorriu-lhe e sentou-se ao seu lado. Entretanto entravam pela sala 3 raparigas em que uma vinha à frente como que guiando as outras. Essa era loira e pareceu-lhe ter olhos claros. Sim, Mia era muito observadora! As outras duas tinham o cabelo escuro, uma com cabelo castanho e a outro tinha-o preto.

-Aquelas são a Bella, a Bianca e a Amy. São as ricas populares de cá. A Bella é a líder e as outras fazem apenas o que ela manda. – Começou, Chloe a apresentar sem que elas ouvissem.

-Já estou a ver o género.

Ambas se riram.

Depois entraram um grande grupo de rapazes empurrando-se uns aos outros e rindo.

-Aqueles são a equipa de basquetebol. Aquele é o Noah, o capitão de equipa. Como podes ver na cara de Bella, ela gosta dele, mas ele não está nem aí…

Chloe continuou a falar, mas Mia deixou de a ouvir. Entrou um grupo de 3 rapazes e uma rapariga e Mia seguiu-os com os olhos, obviamente, até ao balcão. O rapaz de cabelo escuro e olhos de uma cor que ela não sabia identificar reparou que ela os estava olhando. Ela tentou disfarçar, desviando o olhar, mas podia jurar que ele se riu da sua tentativa, claramente, falhada. Voltou a olhar para ele e ele estava olhando-a fixamente sem se intimidar ao perceber que ela estava a reparar. Era como um jogo que, definitivamente, ele estava a ganhar.

– … Mia, estás a ouvir-me? – Disse Chloe tirando Mia de uma espécie de transe.

– Sim! – Apressou-se a responder. – Quer dizer, não! – Decidiu ser honesta com a nova amiga e ambas riram. – Quem são aqueles?

– São os Coopers. Não falam com ninguém. Acho que nunca ninguém lhes viu um sorriso. – Respondeu Chloe, mas Mia não acreditou. Pelo menos, não na parte em que nunca ninguém lhes viu um sorriso. Deviam andar todos desatentos.

A campainha tocou… Instalou-se a balburdia total. Todos corriam para colocarem os tabuleiros nas respetivas prateleiras. Mia previa que alguém tropeçaria fazendo com que todo o resto das pessoas caíssem também e criariam um amontoado de gente. Porem, riu e admirou a agilidade de todos se desviarem um dos outros, isto sem deixar cair uma grama de comida. Não literalmente, claro!

-Qual aula vais ter agora? – Perguntou Chloe.

Mia desbloqueou o seu iPhone para ver o horário.

-Biologia. – Respondeu depois de alguns segundos.

-Eu não estou inscrita nessa aula, mas a sala fica a caminho da minha. Eu levo-te lá! – Disse Chloe levantando-se e pegando no tabuleiro. Mia fez o mesmo.

-Obrigada Chloe! – Disse Mia já atrás de Chloe para as prateleiras.

-Ora essa! Depois encontramo-nos no corredor?

-Claro!

Mia viu que os Coopers não se mexiam. Viam toda a gente apressada e apenas sorriam.

-Não sei como era na tua antiga escola, mas aqui soam dois toques. Se depois do segundo não estiveres na sala, tens falta. Claro que alguns professores não são tão rigorosos, mas para o teu bem é melhor que o diretor não te veja pelos corredores depois do segundo toque. – Chloe riu e Mia fez o mesmo.

Dirigiram-se para a saída do refeitório depois de colocarem o tabuleiro e Mia olhou uma ultima vez para o grupo e saiu, depois, sem que eles se mexessem.

Pelo corredor, Chloe continuava a fazer o que fez durante toda a conversa: apresentar pessoas e lugares. Percebeu que Chloe adorava falar e ela gostava disso. Sorriu, feliz, por Chloe ter sido a primeira pessoa que ela conhecer e a qual, certamente, seria uma boa amiga.

Quando Chloe a deixou à porta da sala o tal rapaz de cabelo preto já lá estava. «Como chegou tão rápido?». Não estava sentado nem muito à frente, nem muito atrás na sala e estava na fila mais perto das janelas. Estava sozinho.

-Parece que temos uma aluna nova. Entra! Senta-te ao lado do Isaac. – Disse a professora.

«Então o nome dele era Isaac…»

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O que acharam? Querem a continuação? Já tem alguns capítulos publicados no Wattpad, leiam e digam-me o que acham :*

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Uma noite na Casa Abandonada – 4º Capítulo

«-António…- Gritou novamente Clara.

António deu um grito. Tinha levado um tiro no braço.

-Estás bem, António?

-Sim, estou. Vai-te embora. Foge!

A arma estava caída e o homem ia em direção a ela. Clara levantou-se e chegou primeiro e, sem pensar, disparou contra o homem.

A casa estava quase a desabar. Clara correu até António, ajudou-o a levantar-se e foram em direção à porta.

Quando saíram, estava lá a turma toda, a polícia e uma ambulância. Foram todos ter com eles e os paramédicos foram buscar o António para lhe tratarem do braço.

O chefe da polícia ia a entrar para buscar o chefe (os outro dois já tinham sido apanhado).

-Não entre! A casa está a desabar. – Disse Clara

-Eu tenho que o prender, não o posso deixar morrer. – Disse o agente virando as costas.

-Eu matei-o…-Disse Clara com alguns soluços. – E logo a seguir a casa acabou mesmo por desabar impedindo o inspetor de entrar.

-Queres contar-me melhor essa história? – Disse o agente aproximando-se de Clara.

Clara estava muito nervosa e não queria falar.

-Não tenhas medo Clara. Eu não te vou prender. –Disse o agente tentando deixa-la à vontade.

-Eu e o António estávamos à janela e ele viu-nos. Quando chegámos à sala ele estava a pegar fogo à sala e apontou-nos uma arma. O António começou a lutar com ele e levou um tiro no braço. O homem foi em direção à arma e eu também. Cheguei primeiro e disparei. Não tive escolha. Era ele ou nós. – Disse Clara começando a chorar.

-Calma Clara! – Diziam os amigos tentando acalmá-la.

-Mas há mais… – Continuava Clara.

-Fala. – Pediu o agente.

– Os outros dois falaram em embarcar crianças.

-Eu vou fazer uns telefonemas.- Disse o agente afastando-se.

Clara vai ter com António à ambulância.

-Como estás? – Pergunta ela.

-Bem, graças a ti…-Disse António.

-Temos que ir. – Disse ao paramédico a António e Clara.

Clara sai sorrindo para António. Os colegas de turma vêm ter com ela e chega também o agente.

-Não te salvaste só a ti e ao António… Salvaste mais 52 crianças.

-Ainda bem. Eu… Achei que ia perdê-lo e quando ouvi falar em crianças…

-Tem calma. Agora tens que vir comigo até à esquadra, pode ser?

Clara foi com o agente e o resto da turma foi para casa. Os pais já sabiam de tudo e ninguém acabou por ser castigado.

Depois de Clara prestar depoimento, foi ao hospital ter com António.

-Como estás? – Perguntou Clara entrando no quarto e sentando-se aos pés da cama onde António também estava sentado.

-Já te disse que estou bem. Estou pronto para outra.

-Não digas isso nem a brincar.

-Clara… -Começou António pegando na mão de Clara. -Foste muito corajosa.

-Não havia outra solução. – Disse Clara.

-Havia sim. Podias ter fugido como eu te disse.

-Eu era incapaz de te deixar lá. – Disse Clara e ficaram os dois a sorrir um para o outro.

-Já podes ir embora. – Disse a enfermeira entrando no quarto.

-Já não era sem tempo. – Disse António levantando-se da cama.

Clara e António saíram para a sala de espera e passados alguns minutos chegaram os pais de António que iam levar Clara a casa.

A caminho do carro, Clara e António ficaram mais para trás.

-Tive medo de te perder. – Disse Clara e António sorriu. – De que te estás a rir.

-Nada. Só nunca pensei ouvir-te dizer isso.

-Também nunca pensaste levar um tiro.

-Então, se eu não levasse um tiro, não dizias isso? Já valeu a pena.

Clara riu e beijou-o. Sorriram um para o outro e entraram para o carro.»

Chegámos ao final e gostava muito de saber o que acharam… Foi algo que já escrevi há bastante tempo e, sinceramente, pensei em nem postar e só postei por ter sido inspirado em duas pessoas muito importantes. Espero que tenho gostado 🙂

 

Uma noite na Casa Abandonada – 3º Capítulo

«-Não faças barulho. – Diz António.

Estava uma chave no chão. António levantou-se e foi tentar trancar a porta. E conseguiu. A chave era daquela porta.

Os homens pararam no corredor a conversar.

-Não achas que exageraste?

-Com o quê?

-Com os outros dois. Eram nossos amigos.

-Amigos!? Eles iam contar tudo à polícia.

-Talvez os conseguíssemos convencer a não contar nada.

-Agora não há nada a fazer.

Clara e António olham-se e voltam-se a abraçar.

Que estariam aqueles homens a fazer naquela casa? Seria um local de encontro? Qual seria o plano deles?

-Desta vez é o quê?- Pergunta um dos homens.

-O mesmo da última vez.

-O patrão nunca mais chega.

-Deve estar a embarcar as crianças.

-Vamos lá para baixo.

Os homens desceram e Clara soltou uma lágrima e António deu-lhe um beijo na testa.

-Vai correr tudo bem.- Sussurrou António

-António, eu quero sair daqui. – Disse soluçando.

-Calma. Eu vou tirar-te daqui. Prometo!

António levantou-se e foi em direção à porta.

-Que estás a fazer António?

-Vou tirar-te daqui. Fica aqui.

-António…

-Vai correr tudo bem.- Diz António.

Ouve-se um carro a chegar. Clara levanta-se e vai até à janela.

-António entra!- Diz Clara correndo até à porta.

-Que se passa?

-O patrão chegou.

-Ainda estão ali todos.- Diz António

-Quem?- Pergunta Clara espreitando.

-Os da nossa turma. Olha eles alí escondidos.

-Eles são doidos.

Os dois homens foram embora e só ficou o chefe. Seria esta a melhor oportunidade para ele fugirem?

O chefe olhou para a janela e Clara e António baixaram-se, mas ele viu-os.

-Anda Clara! Rápido!- Disse António puxando Clara pela mão.

António e Clara chegaram à sala e o homem estava a espalhar gasolina para pegar fogo à casa.

-Vós não devias estar aqui. -Disse o homem a António e Clara.

-Por favor, não faça isso.- Pediu Clara enquanto o homem acendia o isqueiro.

-Lamento.- Disse o homem com alguma troça.

-Deixe-a sair, por favor.- Pedia António.

-Nem pensar, mas vou poupar-vos algum sofrimento.- Disse o homem pegando numa arma.

Clara e António estavam um pouco afastados, por isso, o homem apontou a arma para Clara que estava muito assustada.

António tivera prometido a Clara que não deixaria que nada de mal lhe acontecesse, por isso, começou a lutar com o homem que deixou cair o isqueiro.

A casa começou a arder.

-António para.- Gritava Clara.

De repente ouviu-se um tiro.»

O que estão a achar? Deixem os vossos comentários. Gostam deste tipo de post de escrita? Contem-me nos comentários se querem mais ❤

Uma noite na Casa Abandonada – 2º Capítulo

«Desceram, os dois, as escadas devagar, mas quando chegaram à porta da cozinha ela estava trancada.

-E agora António?- Sussurrou Clara.

-Vamos ver se está alguém na sala. Se não estiver, saímos por lá.

-O quê?

-Não te preocupes! – Sorri, malandro, para aliviar o nervosismo. –  Eu protejo-te.

Foram os dois em direção à sala. Clara ia agarrada a António. Ele deu-lhe a mão e foi mais à frente. Quando chegaram à sala só lá estava um homem estendido no chão.

-António, olha ali!-Disse Clara apontando para o homem.

António foi em direção ao homem para ver se estava vivo. Pôs o seu dedo indicador no pescoço do homem e viu que não tinha pulsação.

-Está morto!-Diz António olhando para Clara.

-Vamos embora, por favor!-Pede Clara assustada.

Tentaram abrir porta, mas também estava trancada.

-Quem trancou as portas todas?

Ouviram-se passos e alguém a falar.

-Vamos esconder-nos. Rápido!

António puxa Clara pela mão e escondem-se atrás de uma secretária que estava na sala. Desceram dois homens pelas escadas e foram em direção o cadáver.

-Eu disse-te que não estava cá ninguém. – Disse um.

-Aquilo não estava lá quando saímos. Eu tenho a certeza.

-Para com isso! Temos mais para fazer…

-Este teve o que merecia…-Disse um dos homens dando-lhe um pontapé.

Clara apertou com toda a sua força a mão de António e este, para a acalmar, abraçou-se a ela.

Os homens ficaram na sala cerca de 20 minutos e, António e Clara, ficaram todo esse tempo atrás da secretária, abraçados.

-Vou lá fora ver se o chefe ainda demora… – Diz um dos homens.

-Eu vou contigo.

Saíram os dois, mas voltaram a trancar a porta. Porque trancariam as portas? Desconfiariam que estava mais alguém dentro da casa?

-Anda! Rápido!-Disse António puxando Clara pelo braço. Subiram as escadas a correr e trancaram-se no quarto. Clara estava a tremer.

-Calma Clara. Vai correr tudo bem. -Disse António.

-Achas que vai correr tudo bem? Estes homens não estão par brincadeira. Se nos apanham aqui ainda…

-Ainda nada. Eu não deixo que ninguém te faça mal. – Diz António abraçando-se a Clara.

Sentaram-se num canto do quarto, mas sempre abraçados. Passados alguns minutos, António levanta-se e vai à janela.

-Que vais fazer? – Pergunta Clara preocupada.

-Vou ver se consigo perceber o que se passa aqui.

Os homens estavam no jardim com um terceiro. Depois de alguns minutos a discutir um dos homens apontou uma arma a este terceiro. Ele não estava muito assustado. Ele achava que o “amigo” não era capaz de disparar contra ele, mas enganou-se. Disparou mesmo. E António baixou-se e Clara correu até ele e abraçou-se a ele ainda baixados. Levantaram-se os dois devagar e espreitaram novamente. O homem não se mexia, mas eles continuavam a trata-lo mal mesmo depois de morto.

Voltaram para o canto e sentaram-se.

-Posso fazer-te uma pergunta?-Pergunta António.

-Claro, diz!- Diz Clara.

-Como estão as coisas com o Filipe? Eu percebi que não estavas bem…

Filipe era o ex-namorado de Clara. E já há algum tempo que Filipe e António tinha problema, pois António há muito que gostava de Clara.

-Acabámos.- Diz Clara.

António não consegui conter um sorriso.

-Ele não é rapaz para ti. – Diz António.

-Achas que é a altura para falar disso?

Ouviram-se passos no corredor.»

O que estão a achar? Deixem a vossa opinião 🙂

Uma noite na casa abandonada – Capítulo 1

«Toda a turma combinara passar uma noite numa casa abandonada para festejar o final das aulas e a casa escolhida tinha sido bem estudada: ainda estava em bom estado (apesar se praticamente não ter mobília) e sabia que os herdeiros da casa moravam no estrangeiro. Nada podia falhar!

Hoje era a noite escolhida e todos combinaram encontrarem-se à porta da escola para irem todos juntos. Alguns estavam assustados e pensavam em desistir. a maior parte tinha mentido aos pais dizendo que iam dormir a casa de amigos. E se os pais descobrissem? Os mais corajosos incentivavam os outros e ninguém acabou por desistir. Eram uma turma bastante unida e ninguém nunca ficava para trás.

Já estavam todos em frente à escola. Partiram e passados alguns minutos chegaram.

– É ali!- Diz um.

– Fixe! Vamos lá!

Ao verem a casa ficaram ansiosos e entusiasmados e já ninguém pensava em desistir. A casa parecia uma verdadeira casa assombrada saída de um verdadeiro filme de terror. Aproximaram-se lentamente sem conseguirem falar, completamente pasmados. A casa, por um lado, metia medo, mas, por outro, era um cartão-de-visita para uma noite completamente aterradora.

-Ver filmes de terror nesta casa. UAU!- Dizia António que era o que estava mais ansioso para entrar. Passados alguns segundos de estarem pasmados a olharem para a casa, entraram.

Depois de abrirem a porta, entraram para, onde outrora teria sido uma sala de estar. Todos se dirigiram para o centro da sala e começaram a olhar em volta.

– UAU!- Diziam todos.

A sala ainda tinha alguma mobília. Num canto da sala, estava uma pequena mesa redonda com um pano velho e sujo que, há muito muito tempo, teria sido branco.

Todos, muito juntinhos, subiram as escadas que rangiam a cada passo. No topo das escadas era um corredor onde haviam 3 portas. Antes de se instalarem queriam conhecer toda a casa. Entraram na porta que estava à esquerda deles.

– Isto devia ser um…

-Ahhh!- Gritou alguém.

– Que se passa?- Perguntaram, aflitos.

– Vi um rato.- Todos se riram.

– De que se estão a rir? Era um rato enorme.

-Ele não te vai fazer mal.

Continuaram a investigar o que já tivera sido um quarto. Este quarto era pequeno para todos.

Saíram e entraram em outra porta. Também parecia ter sido um quarto, mas estava mais degradado. Clara foi à janela.

– Venham ver isto…- Disse ela aos amigos.

Tentaram pôr-se todos em volta da janela. O que viam era algo assustador. Era um antigo jardim com árvores completamente mortas e um banco de madeira coberto de musgo. Estaria aquela casa assombrada? Uma coisa era certa, o terror estava perto de chegar.

Saíram e entraram na outra porta. Esta parte da casa não tinha quase mobília nenhuma e era a que estava em melhor estado.

-Dormimos aqui?

– É a parte mais espaçosa e dá para pôr os sacos-cama.

Ao fundo do corredor havia umas escadas que davam acesso a uma antiga cozinha. A cozinha não estava no melhor estado. Não era limpa há muito tempo, mas eles trouxeram comida, portanto, não seria um problema.

-Que nojo!

Na cozinha havia 2 portas. Uma dava acesso ao jardim e a outra à sala.

-Vamos preparando as coisas.

-Vamos.

Subiram as escadas e foram para o suposto quarto.

Começaram a estender o sacos-cama.

-Vamos ver um filme?

-Vamos. Onde está o portátil?

-Está naquela mochila.

Pegam no portátil e põem o filme escolhido.

-A comida?

-Está naqueles sacos.

Sentaram-se em volta do portátil a comerem umas bolachas. Começaram a ver um filme de terror.

Nesse filme haviam mortes e muito sofrimento. As raparigas mais sensíveis encostavam-se aos rapazes que estavam por perto. Clara agarrou o braço de António e encostou a cabeça no seu ombro. António olhou e sorriu.

O filme demorou cerca de uma hora e meia.

De repente, ouviu-se um tiro.

-O que foi isto?- Sussurravam assustado.

-Não sei. Vamos embora!

-Não é melhor chamar a polícia?

-Saímos daqui primeiro, depois logo vemos.

Arrumaram as coisas rapidamente e saíram para o corredor sem fazerem barulho. O tiro parecia ter vindo da sala, por isso, desceram as escadas que davam acesso à cozinha e saíram pela porta das traseiras. Mas…UPS! Clara caiu nas escadas e António ficou para trás para a ajudar.»

O que acharam? Deixem a vossa opinião e se querem a continuação… Já foi escrita há muito tempo e não está, propriamente, com o meu estilo de escrita atual, mas decidi postar como estava porque foi inspirada em pessoas reais e não quis alterar muita coisa ❤

Prisioneira no meu corpo

«Cada vez mais, sinto que este corpo não me pertence e sou eu que lhe pertenço. Eu não o consigo fazer agir ou até parar, mas, ironicamente, ele consegue fazê-lo comigo.

Quando estou no silêncio, mando-o gritar, mas só consigo com que fique ainda mais silêncio em mim. Quando me sinto sozinha, mando-o aproximar-se das pessoas que me fazem bem, mas como reposta, ele fogem para o mais possível delas. Quando choro e o mando sorrir, ele solta cada vez mais lágrimas. Quando perco o controlo e o mando parar, ela ataca-me como se de um erro se tratasse. Quando quero que ele pense em momentos alegres e felizes, ele age como se não soubesse o que isso era, como se nunca tivesse passado por momentos desses. Se eu passei por esses momentos, como é que ele não os passou comigo? Por mais tempo que passe e por mais provas que apareçam, apercebo-me de que tudo o se passa comigo é pura ilusão, ou simplesmente imaginação.

Por mais que tente não consigo controlar, nem influenciar o meu corpo. Porém, quando ele se sente triste, eu sinto-me triste; quando ele sente medo, eu sinto o seu desespero; quando ele sofre, eu sinto toda a sua dor. E quando eu me sinto feliz não consigo fazer com que ele sinta o mesmo e ele acaba por me influenciar com a sua dor e a felicidade extingue-se assim do meu corpo e da minha alma, até que já não reste mais esperança.

Perdi o controlo de tudo. E agora sou prisioneira deste corpo que não me pertence.»

 

❤ ❤ Kiss

A minha alma

«Entraram a correr, apressados, cerca de 2 ou 3 bombeiros, pelo hospital, a empurrar a maca onde eu estava deitada. Eu não conseguia ter bem a noção do espaço nem do tempo e muito menos, do que estava a acontecer.

Levaram-me para uma sala escura e vazia e começaram a chegar umas tantas pessoas que, julgo eu, seriam médicos e enfermeiros. Vi que estavam todos bastante agitados e um pouco aflitos, o que eu não consiga perceber, pois eu sentia-me cada vez mais calma. Corriam pela sala e mexiam em instrumentos que eu nunca vira.

Quanto mais o tempo passava menos noção tinha do meu corpo estava a perder a ligação com ele e estávamos a deixar de ser um só para passarmos a ser dois elementos distintos.

Finalmente deu-se o colapso e quebrou-se a ligação entre mim e o meu corpo. Senti-me a escorregar pela cama, mas o meu corpo permanecia quieto. Quando perdi, de vez, a união com o meu corpo e a máquina começou a apitar com outro ritmo, senti-me finalmente livre. Fundi-me com o ar e subi até ao teto e fiquei lá a flutuar e a observar o meu corpo.

Alguém se apressou em buscar aquela máquina que, até então, só tinha visto em filmes. Só sabia que aquela máquina dava uma espécie de choques elétricos e só se usava quando o coração parava de bater. Levei as mãos ao peito e realmente não sentia o coração.

Encostaram duas “coisinhas” ao meu peito e o meu corpo saltou. Sorri como uma criança que assiste a uma animação de circo. Repetiram o mesmo processo duas ou três vezes, ma depois desistiram. Já nada adiantava. O meu coração parara para nunca mais voltar a bater. Decidiu que chegara a sua hora de descansar.

Um dos médicos tapou-me com um lençol e disse sem grande agitação e com alguma frieza: “Está morta!”. E todos saíram da sala. E eu? Eu continuava lá a observar o meu corpo agora coberto com aquele lençol, mas finalmente senti-me livre e calma, finalmente senti-me feliz…»

Digam-me o que acham 🙂 Beijo